Saúde

Ventosaterapia

Por Carla C. Ramos Pontes

Michael Phelps com marca de ventosoterapia

Michael Phelps com marcas de ventosaterapia

Um dos principais assuntos da semana tem sido as manchas roxas circulares presentes nos corpos de alguns atletas, dentre eles Michael Phelps. Como já foi divulgado por diversos veículos da impressa, essas manchas rochas são resultado de um tratamento muito antigo e que faz parte da Medicina Tradicional Chinesa denominado Ventosaterapia.

Apesar de ser muito utilizada por profissionais com formação em MTC, a ventosa faz parte de diversas culturas, sua  origem é incerta, há alguns registros de 3000 anos A. C,  no Egito, seguindo pela Grécia, Europa em geral, América, Asia e desde 1999 tem sido aceito como terapia nos hospitais chineses (Nichel, 2005; Turk and Allen, 1983; Han et. al. 2006). Como tem se tornado uma prática clinica muito utilizada desde o século 20, principalmente para o tratamento de dor,  tanto na medicina Ocidental quanto Oriental, embora com abordagens diferenciadas, o interesse em pesquisar a ventosaterapia tem levado a publicação de mais pesquisas. (Farhadi et al., 2009; Kim et al., 2011; Ludtke et al., 2006)

Os materiais para a aplicação da ventosaterapia comumente são:  copo de vidro (aquecido com fogo para criar o vácuo), copo de acrílico ( com a aplicação através de uma pistola que faz a sucção) e bamboo.  Pode ser feita localmente, deixando o copo na pele de 5 a 20 minutos, podendo causar hematomas ou, deslizante, quando se aplica a ventosa na pele,  besuntada com algum tipo de óleo ou creme hidratante a fim de permite o deslizamento da ventosa sem que haja agressão à pele  (Cao, Li ,Liu, 2012).

FIG . 1. Modelo axissimétrico de elementos finitos da ventosa dos tecidos moles . O tecido mole é composta de pele, gordura e músculo . A força de sucção foi aplicada na superfície da pele na zona delimitada pelo copo. (Tham, Li, Liu, 2006)

FIG . 1. Modelo axissimétrico de elementos finitos da ventosa dos tecidos moles . O tecido mole é composta de pele, gordura e músculo . A força de sucção foi aplicada na superfície da pele na zona delimitada pelo copo. (Tham, Li, Liu, 2006)

O que intriga a maioria das pessoas, são as manchas roxas deixadas pelas ventosas, mas é exatamente nesse aspecto que ocorre a ação dessa terapia.  As manchas e/ou hematomas (eritema , edema e equimose) são provocados pelo efeito da pressão negativa sobre a pele causado pela sucção, na Medicina Chinesa esse efeito tem como propósito puxar o Qì (Energia Vital que faz tudo funcionar no corpo) e o Xuè (Sangue) para cima, em uma camada mais superficial da pele, já que para a MTC a dor é causada por estagnação de Qì e Xue. Traduzindo para a linguagem ocidental, esta estagnação pode ser considerada como uma inflamação local, toxina liberada na região mais solicitada, no caso do Phelps, o excesso de uso da musculatura causando um certo tipo de aderência entre a pele e músculo.

A ventosa estimula a circulação da região afetada, nutrindo-a e puxando para a superfície as toxinas que estão nas camadas mais profundas, (Kouskoukis and Leider, 1983; Look and Look, 1997; Yoo and Tausk, 2004), a tração causada na pele provoca uma dilatação severa dos capilares, levando à ruptura (Tham et al, 2006;.. Zhao et al, 2009), a reação da pele atingida após a sucção da ventosa depende da pressão aplicada no copo e do grau de inflamação na região, como podemos verificar na Figura 2:

ventosa2

Figura 2.

A Ventosaterapia é aplicada por profissionais com formação em Medicina Tradicional Chinesa, já que os pontos de acupuntura e a linha dos meridianos também são utilizados para permear o tratamento, até mesmo, de forma conjunta otimizando a melhora da dor através da sangria.

Eficiente para cura de dores musculares e articulares, foi uma escolha assertiva para os atletas olímpicos pois promovem uma melhor performance pelo alívio ou cura da dor, livrando-os da utilização de medicamentos que podem levá-los ao dopping.

Utilizamos essa terapia no dia-dia dos alunos que apresentam algum tipo de inflamação pós treino ou mesmo alunos que venham com alguma lesão ou dor causada por atividades da vida diária, etc.  Já para as mulheres de plantão, a ventosaterapia também é muito eficiente no tratamento da celulite (Gao, 2004; Hong, 2011).

Referências:

Cao, H., Li, X., Liu, J., 2012. An updated review of the efficacy of cupping therapy. Plos One 7 (2), e31793

Farhadi, K., Schwebel, D.C., Saeb, M., Choubsaz, M., Mohammadi, R., Ahmadi, A., 2009. The effectiveness of wet cupping for nonspecific low back pain in Iran: a randomized controlled trial. Complement. Ther. Med. 17 (1), 9e15

Gao LW (2004) Practical Cupping Therapy [in Chinese]. Beijing: Academy Press.

Han, C.H., Kim, S.W., Lee, Sd, Shin, M.S., Shin, Sh, Choi, S.M., 2006. Telephone survey for grasping clinical actual state of bloodletting therapeutics in Korea. J. Korean Acupunct. Moxibustion Soc. 23, 177e187.

Hong SH, Wu F, Lu X, Cai Q, Guo Y (2011) [Study on the mechanisms of cupping therapy]. Zhongguo Zhen Jiu 31: 932-934.

Kim, J.I., Lee, M.S., Lee, D.H., Boddy, K., Ernst, E., 2011. Cupping for treating pain: a systematic review. Evid. Based Complement. Altern. Med. e CAM 2011, 467014

Lu¨dtke, R., Albrecht, U., Stange, R., Uehleke, B., 2006. Brachialgia paraesthetica nocturna can be relieved by “wet cupping”-results of a randomised pilot study. Complement. Ther. Med. 14 (4), 247 e 253.

Nickel, J.C., 2005. Management of urinary tract infections: historical perspective and current strategies: part 2-modern management. J. Urol. 173 (1), 27 e 32.

Tham, L.M., Lee, H.P., Lu, C., 2006. Cupping: from a biomechanical perspective. J. Biomech. 39 (12), 2183 e 2193

Turk, J., Allen, E., 1983. Bleeding and cupping. Ann. R. Coll. Surg. Engl. 65 (2), 128 e 131.

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