Alimentação / Suplementação

Pimentas e Termogênese – Acenda o Fogo!

PIMENTAS E TERMOGÊNSE – ACENDA O FOGO!

O poder termogênico das pimentas é amplamente conhecido pela população. Existem efeitos relatados que não são os realmente promovidos pela ingestão desses alimentos, e quando olhamos para as particularidades, as coisas são ainda mais diferentes.

No entanto, quando olhamos a literatura científica, percebemos que existem bem mais efeitos estudados do que os normalmente discutidos ou imaginados pela população em geral.

Existem diversos tipos de pimentas e como todos os vegetais, as pimentas possuem elementos principais, que podem ser chamados de princípios ativos, no caso das pimentas, eles são classificados como alcaloides, e elas podem ser separadas por essa característica.

As principais espécies de pimentas são a Piper, a Capsicum e a Pimenta, sendo a pimenta do reino um tipo de pimenta Piper e o pimentão e a pimenta malagueta, um tipo de pimenta Capsicum (Capsicum annuum e Capsicum frutescens). Em Portugal as denominações são usadas de maneira um pouco diferente, sendo a pimenta caiena chamada de Capsicum, em Moçambique a Pimenta Piper é chamada de pimenta-redonda, e em Angola as denominações ainda mudam. (WIKIPEDIA – https://pt.wikipedia.org/wiki/Pimenta, acessado em dez 2015)

Embora as denominações e classificações se confundam um pouco, quando observamos os principais princípios ativos usados na nutrição esportiva ou estética, encontramos a capsaicina (capsicum annuum) e a piperina.

A capsaicina, normalmente encontrada nas pimentas vermelhas é o principal ativo encontrado. Ela é responsável por 70% da sensação de queimação que sentimos quando comemos esse tipo de pimenta. Uma molécula semelhante a capsaicina, mas sem a pungência (a sensação de queimação) é o capsiate. Proveniente de “pimentas doces” o capsiate é mais consumido atualmente na forma de suplementos embora esteja presente nas pimentas doces e não seja sentido por não ter a mesma pungência da capsaicina (Ludy et al., 2016).

A piperina, o principal componente da pimenta preta, ou como conhecemos no Brasil, a pimenta do reino, tem diversos efeitos estudados, desde melhorar a absorção de outros compostos a efeitos imunomodulatórios, anti inflamatórios e anti carcinogênicos (Meghwal e Goswami, 2013).

Mas, o efeito principal que buscamos nos estudos que relatam as propriedades fisiológicas das pimentas é o efeito termogênico, o auxílio na queima de gordura, tão associado pela população em relação ao sabor, mas pouco relatado na literatura científica.

Uma excelente revisão sistematizada com meta análise (uma revisão de literatura muito criteriosa) sobre os efeitos da Capsaicina realizada por Whiting et al., (2014), coloca que existem estudos que mostram aumento da taxa metabólica em 30% por uma hora e aumento da oxidação de lipídios em 20%, embora esses resultados sejam de uma leva de estudos que teve variações na metodologia, como por exemplo o uso da pimenta in natura, ou de suplementos algumas vezes.

Os estudos usados na construção dessa revisão foram os que tiveram efeitos no controle do apetite, mostrando que doses entre 0,4 a 33 mg já são capazes de promover tais efeitos. Apesar desses resultados, os autores chegam a conclusão que os efeitos são temporários, o que quer dizer que a ingestão teria que ser crônica e de mais do que uma dose por dia para que os resultados de controle do apetite sejam duradouros.

Park et al., (2012), em um estudo mais aprofundado, mostrou efeitos da piperina sobre o PPAR gama, um elemento importante na diferenciação de pré adipócitos em adipócitos, ajudando a prevenir a obesidade e outros problemas relacionados. Outro estudo conduzido por Kim et al., (2011) também mostrou efeitos da piperina promovendo ativação de mecanismos de degradação sobre células adiposas.

Srinivasam (2015), por sua vez, estudou os efeitos da pimenta vermelha ou da capsaicina sobre o organismo. Esse autor também relata, em um estudo de revisão, os efeitos da capsaicina sobre o emagrecimento e o controle do apetite, além de relatar uma mudança na utilização de substratos energéticos favorecendo a queima de gordura.

Embora os efeitos das pimentas e seus ativos estejam comprovados em células adiposas e sejam percebidos em diversos outros mecanismos fisiológicos importantes, seus efeitos sobre a perda de gordura corporal, especialmente associado aos exercícios, ainda tem espaço para mais estudos e para o desenvolvimento de novos produtos. E você, já experimentou??

Referências

1 – [https://pt.wikipedia.org/wiki/Pimenta, acessado em dez 2015]

2 – Srinivasan K Biological Activities of Red Pepper (Capsicum annuum) and Its Pungent PrincipleCapsaicin: A Review. Crit Rev Food Sci Nutr. 2015 Feb 12:0.

3 – Ludy MJ, Moore GE, Mattes RD. The effects of capsaicin and capsiate on energy balance: critical review and meta- analyses of studies in humans. Chem Senses. 2012 Feb;37(2):103-21.

4 – Park UH, Jeong HS, Jo EY, Park T, Yoon SK, Kim EJ, Jeong JC, Um SJ. Piperine, a component of black pepper, inhibits adipogenesis by antagonizingPPARγ activity in 3T3-L1 cells. J Agric Food Chem. 2012 Apr 18;60(15):3853-60.

5 – Meghwal M, Goswami TKPiper nigrum and piperine: an update. Phytother Res. 2013 Aug;27(8):1121-30.

6 – Whiting S, Derbyshire EJ, Tiwari B Could capsaicinoids help to support weight management? A systematic review andmeta-analysis of energy intake data. Appetite. 2014 Feb;73:183-8.

7 – Park UH, Jeong HS, Jo EY, Park T, Yoon SK, Kim EJ, Jeong JC, Um SJ. Piperine, a component of black pepper, inhibits adipogenesis by antagonizing PPARγ activity in 3T3-L1 cells. J Agric Food Chem. 2012 Apr 18;60(15):3853-60.

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