Treinamento

Periodização do Treinamento – Organizar para garantir resultados!

PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO – Organizando o treino pra chegar no resultado desejado!

Pra que serve a periodização do treinamento??

Pra obtermos os melhores resultados possíveis em determinadas datas? As das competições alvo??

Isso mesmo, no entanto, como é que você organiza a sua periodização? Do jeito tradicional? Pelo método linear ou não linear? E essas formas alternativas de periodização, como a periodização em bloco, funcionam???

Bom, vamos ver de onde isso vem e como funciona:

PRINCÍPIOS HISTÓRICOS

A história da medicina e da filosofia nos dá informações fundamentais sobre a teoria do treinamento.

O famoso médico Romano Galeno (Cláudio Aelio Galeno, Século II) em seu tratado de Preservação da Saúde propôs a “categorização original dos exercícios”, isso poderia ser qualificado como o início da periodização do treinamento de força como conhecemos.

Esse médico já trazia ideias criativas e específicas que já davam uma forma a periodização do treinamento.1,2

Ainda outro Grego famoso, Philostratus, o Ateniense (como era conhecido), já apresentava um “período de preparação pré olímpico” de 10 meses, seguido por 1 mês de “preparação específica” antes dos jogos olímpicos.

Além de ser uma ideia seguida até hoje, ele ainda tinha um planejamento de curto prazo, muito parecido com o que vemos hoje em alguns modelos de preparação.3

Com esses relatos históricos, alguns estudos dos anos 50 e a teoria da supercompensação, Matveyev4, um nome já conhecido de quem trabalha com organização de treinamento, propôs um esquema de soma de cargas.

De acordo com esse esquema, um número de treinos podia ser feito enquanto o atleta ainda estava fadigado, e o efeito de supercompensação poderia ser induzido depois de um ciclo de treinamento e não apenas depois de um só treino.

Essa ideia deu origem a soma de pequenos ciclos de carga (os microclos) e a elaboração do treinamento pré competitivo. O início do treinamento linear tradicional.

 

TEORIA DO TREINAMENTO TRADICIONAL

A teoria do treinamento tradicional tem um ritmo bem definido de dias de treino e de descanso.

Essa ideia gera uma adaptação que promove uma renovação periódica da adaptabilidade, ou seja, o sujeito se esforça, e se adapta, subiu um degrau, daí ele está pronto para um novo esforço e consequentemente uma nova adaptação.

Esse tipo de periodização usa tarefas ou estratégias que desenvolvem, além das capacidades físicas, habilidades específicas e gerais, técnicas e táticas num sistema organizado de um calendário de competições que tem bem marcado, o pico, a melhor fase, da preparação no programa de treinamento.5

Veja um exemplo de uma periodização de treinamento linear: 

 

TREINAMENTO ONDULATÓRIO

Um método de treinamento que não é tão conhecido embora não seja novo, (foi idealizado nos anos 1950) utilizado para a montagem de treinos no curto prazo e no longo prazo é o treinamento ondulatório.

Nesse modelo, acontece a troca de dias de carga mais alta e mais baixa, com sequencias de treinos de alta, média e baixa carga. Então, mesmo dentro de uma sequência de baixa carga, por exemplo, existe essa alternância entre os estímulos dos treinos. 

Foram feitos estudos, na época da criação do método, que mostraram que esse tipo de variação nas cargas facilitava as respostas ao treinamento e diminuía o acúmulo excessivo de fadiga. Ao mesmo tempo, as “ondas” de treinamento (as sequências de alta, média e baixa) mensais e anuais ajudavam a não tornar os treinos monótonos e manter a treinabilidade dos atletas.  Veja um exemplo de uma periodização ondulatória:

 

 

 

TREINAMENTO EM BLOCO

As primeiras experiências com o treinamento em blocos aconteceram nos anos 80.

A periodização por blocos é semelhante as demais num sentido geral. Ela segue progressivamente até um momento de forma física e técnica ideal, dentro de um período específico de tempo, geralmente divido em fases. Por exemplo: geral, específico e competitivo. Essas fases vão mudando conforme a evolução do atleta.6

A principal diferença dos demais métodos de treinamento é que os blocos de treinamento têm um foco mais específico, com poucas habilidades ou capacidades sendo trabalhadas em um único bloco!

No entanto, existem dois fatores fundamentais que interferem na montagem dos blocos do treinamento.7

Os fatores acúmulo de treinamento e efeito residual do treinamento.

O acúmulo de treinamento se refere ao estado final de um atleta após um período de preparação física intensa.

Nesse momento, tanto os elementos físicos (muitas vezes desgastados) como os elementos técnicos do atleta podem/devem ter melhorado.

Já o efeito residual do treinamento se refere a quanto tempo dura o estímulo do treinamento daquela capacidade que foi treinada naquele determinado bloco.

Uma vez que o treinamento em bloco treina capacidades específicas em cada bloco, é fundamental saber quando temos que estimular novamente aquela capacidade (ou quanto tempo podemos ficar sem estimular) antes de “piorar” ou voltar ao estágio anterior em relação a ela.

Esses fatores influenciam diretamente qual bloco vem antes e qual bloco segue na composição.

Outra característica do treinamento em bloco é a utilização do desenvolvimento combinado e consecutivo de determinadas habilidades que precisam ser trabalhadas e que, com poucos blocos de treinamento disponíveis, poderiam ser deixadas de lado.  

Essa característica é especial para modalidades que exigem um desenvolvimento mais complexo com o equilíbrio de capacidades física e técnicas que devem ser treinadas. Veja um exemplo de uma periodização em blocos:

 

 

Referências:

1 – Gardiner NE. Athletics of the ancient world. Oxford: University Press, 1930

2 – Robinson RS, editor. Sources for the history of Greek athletics. Cincinnati (OH): Privately printed, 1955

3 – Drees L. Olympia, gods, artists and athletes. New York (NY): Praeger, 1968

4 – Matveyev LP. Fundamental of sport training. Moscow: Progress Publishers, 1981

5- Issurin VB .New horizons for the methodology and physiology of training periodization. Sports Med. 2010 Mar 1;40(3):189-206. doi: 10.2165/11319770-000000000-00000.

6 – Pyne DB, Touretski G. An analysis of the training of Olympic sprint champion Alexandre Popov. Australian Swim Coach 1993; 10 (5): 5-14

7 – Issurin V. Principles and basics of advanced training of athletes. Muskegon (MI): Ultimate Athletes Concepts Publisher, 2008

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