Treinamento

O treino de força melhora a performance de corredores

Por Elias de França 

Para ser um ótimo corredor de endurance não basta ter somente um alto valor de VO2máx.. Fatores como a economia de corrida (EC), mesmo no alto nível (atletas de elite) é o que distingue os campeões da média populacional de atletas de elite (Shaw et al.,2014).

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Infográfico 1

A EC sofre grande influência do consumo máximo de oxigênio (VO2máx) relativo a velocidade de corrida (vVO2máx.) desempenhada pelo atleta. Esse fator (vVO2máx.) está fortemente associado aos atletas de endurance de elite (de sucesso), de curta ou de longas distâncias. Nesse sentido, melhorar o vVO2máx. resulta em melhora da EC (Beattie et al., 2016) Em outras palavras, atletas com VO2máx. semelhantes desempenham diferentes velocidades durante um prova (para um mesmo gasto energético), caso eles possuam diferentes vVO2máx (Shaw et al.,2014).

Em um recente estudo realizado por Beattie et al. foi demonstrado que o treinamento de força associado ao treino de endurance melhorou significativamente o vVO2máx, consequentemente melhorando a EC (veja no infográfico 1). Já o grupo que treinou somente endurance (Control group, barras vermelhas) não melhorou sua performance de forma significativa (só mantiveram).

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Infográfico 2

Percebam que os ganhos em performance no grupo que treinou força ocorreram sem alterações significativas na massa corporal. Este é um grande medo dos corredores de endurance em relação ao engajamento no treinamento de força (“se eu treinar força irei ficar pesado, ficarei lento e também posso me lesionar”). Neste sentido, um treinamento de força quando bem delineado será muito benéfico para o atleta (bem delineado quer dizer treino que aumente a força e não a hipertrofia muscular).

A melhora na performance dos atletas do estudo de Beattie et al. ocorreu sem alteração no VO2máx. ou na velocidade relativa a produção de lactato. Isso demonstra que as adaptações foram resultado de adaptações neuromusculares, ou seja, “atletas de endurance não dependem somente da utilização e transporte de oxigênio, mas também dependem dos aspectos relacionados a produção de força neuromuscular”(Beattie et al., 2016- tradução nossa).

O treino de força APROPRIADO não só melhora a performance atlética, como também diminui os riscos de lesões (veja o infográfico 2). Não faz sentido, frente a tantas evidências científicas de qualidade o atleta não incluir no seu programa de treino sessões de treino de força. Sem sombras de dúvida a não prática do treino de força é o que irá limitar os seus avanços na performance na corrida.

Referências 

Beattie, Kris, et al. “The Effect of Strength Training on Performance Indicators in Distance Runners.” The Journal of Strength & Conditioning Research (2016).

Shaw, Andrew J., Stephen A. Ingham, and Jonathan P. Folland. “The valid measurement of running economy in runners.” Medicine and science in sports and exercise 46.10 (2014): 1968-1973.

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