Emagrecimento

O exercício aeróbio contínuo ainda funciona?

Os exercícios aeróbios contínuos sempre foram conhecidos por seu papel no emagrecimento. Não são raras situações onde os próprios alunos em uma academia falam para o seu instrutor/personal trainer que seu único foco é o emagrecimento e, por isso, só realizarão exercícios aeróbios.

Geralmente, como treinamento aeróbio a estratégia mais utilizada é o treinamento de baixa/moderada intensidade com contínuo e de longa duração [1].  Muitas pessoas acham que os exercícios com contínuos de longa duração e baixa intensidade tendem a ser monótonos e são considerados “chatos” de serem praticados, fazendo com que as pessoas rapidamente percam o interesse em realizá-los.

Com o aumento das desistências dos alunos que tinham como objetivo o emagrecimento, instrutores/personal trainers começaram a utilizar os exercícios com pitadas de atividade anaeróbias para atingir também o emagrecimento, como os clássicos musculação e High Intensity Interval Training (HIIT), o Treinamento funcional, o CrossFit®, etc. Devemos salientar que estes profissionais também estão corretos, já que a literatura cientifica traz diversos artigos quem embasam essa ideia. [2,3].

Até este ponto não há nenhum problema, na verdade é uma solução para o aumento da aderência a prática de atividades físicas. A grande questão é que muitos profissionais não se contentaram somente em mostrar que há exercícios diferentes do clássico (aeróbio continuo de longa duração e baixa/moderada intensidade) que podem levar ao emagrecimento. Esses profissionais classificaram que o exercício aeróbio contínuo não teria mais utilidade, sendo inútil principalmente no processo de emagrecimento.

Com relação aos exercícios aeróbios contínuos no emagrecimento, o American College of Sports Medicine mostra que 250 minutos ou mais de exercícios moderados por semana, como o exercício aeróbio, aumentam a perda de peso, mostrando assim a importância deste tipo de exercício e que ele continua efetivo (como sempre foi) no emagrecimento [4].

Contudo, o aeróbio contínuo de longa duração é importante para outras questões além do emagrecimento.

 

A hipertensão e a diabetes, dois tipos de doenças crônicas não transmissíveis que mais acometem pessoas em todo o mundo, podem ser melhoradas com essas atividades.

 

Exercícios aeróbios contínuos se mostram eficazes na diminuição da pressão arterial tanto em pessoas normotensas como hipertensas e são mais seguros e eficazes para pessoas hipertensas em comparação a exercícios anaeróbios [5].

Com relação ao Diabetes, Cavero-Redondo (2018) [6] publicou uma meta-analise mostrando os efeitos positivos deste tipo de exercício no controle glicêmico de não diabéticos. Além disso, em pessoas com diabetes mellitus tipo 2, uma semana de exercício aeróbio já se mostra eficaz na melhora da sensibilidade à insulina [7].

Ok, você já pode perceber que o exercício aeróbio contínuo sempre foi e continuará sendo importante para a saúde, mas e para a melhora da performance de atletas ou até para aqueles “quase atletas”?

O exercício aeróbio contínuo aumenta a quantidade de mitocôndrias no tecido muscular esquelético. A mitocôndria utiliza oxigênio para a oxidação de intermediários bioenergéticos do catabolismo de glicose e ácidos graxos para a produção de Adenosina Tri-Fosfato (ATP) [8]. Sim, o ATP, aquela molécula que é responsável pelo fornecimento de energia para as células, incluindo as células musculares. Ou seja, quanto maior o número de mitocôndrias, maior a produção de ATP e assim, mais energia para as células musculares.

Mesmo não citando todos os benefícios que o exercício aeróbio pode nos trazer, percebemos sua importância. O foco desta matéria não foi mostrá-lo qual o tipo de exercício mais importante, mas mostrar a sua utilidade em um momento onde ele é considerado por muitos profissionais como ineficaz. Portanto, não há um tipo de exercício melhor ou pior que o outro e sim, um exercício que atenda às necessidades e as preferências do praticante.

Referências:

 

  1. American College of Sports Medicine. Quantity and Quality of Exercise for Developing and Maintaining Cardiorespiratory, Musculoskeletal, and Neuromotor Fitness in Apparently Healthy Adults: Guidance for Prescribing Exercise. Med Sci Sports Exerc. 2011 Jul;43(7):1334-59.
  2. Maillard F, Pereira. B, Boisseau. N. Effect of high intensity interval training on total, abdominal and visceral fat mass: A meta-analysis. Sports Medicine. 2018 Feb;48(2):269-288.
  3. Haddock C.K, et al. The benefits of High intensity functional training fitness programs for military personnel. Mil Med. 2016 Nov;181(11):1508-14.
  4. American College of Sports Medicine. Appropriate Physical Activity Intervention Strategies for Weight Loss and Prevention of Weight Regain for Adults. Med Sci Sports Exerc. 2009 Feb;41(2):459-71.
  5. American College of Sports Medicine. Exercise and Hypertension. Med Sci Sports Exerc. 2004 Mar; 36(3): 533-553.
  6. Cavero-Redondo I, et al. The Effect of Physical Activity Interventions on Glycosylated Haemoglobin (HbA1c) in Non-diabetic Populations: A Systematic Review and Meta-analysis. Sports Med. 2018 Feb.
  7. Exercise and Type 2 Diabetes: American College of Sports Medicine and the American Diabetes Association: Joint Position Statement. Med Sci Sports2010 Dec;42(12):2282-303.
  8. Filler K, et al. Association of mitochondrial dysfunction and fatigue: A review of the literature. BBA Clin. 2014 Jun 1;1:12-23.
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