Envelhecimento

Evitar estado de inflamação crônica é o segredo para uma vida longa e saudável?

Um recente estudo realizado no Japão (1) acompanhou por ~10 anos 1.554 indivíduos (com idade de 50 a 115 anos) e avaliou quais fatores estão associados com a longevidade (mortalidade), estado cognitivo e independência. Diversos marcadores foram analisados e correlacionados com o estado de saúde e taxa de mortalidade dos idosos.   Foi identificado que o estado de inflamação crônica (normalmente associados as doenças crônicas degenerativas como diabetes, doenças cardiovasculares e autoimunes) tem uma importante contribuição diminuição da longevidade como também diminui a independência e cognição dos idosos (veja o destaque em vermelho da Figura).

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Figura. Inflamação associada a longevidade (destacado em vermelho).

A consequência do estudo citado acima pode explicar o acho que outro estudo feito nos Estados Unidos (EUA)(2). Este estudo identificou, pela primeira vez na história do EUA uma diminuição na expectativa de vida da sua população. Isso nos faz acender uma luz vermelha de alerta, como isso pode ter ocorrido no pais mais rico do mundo? Além disso, querendo ou não, normalmente nós (brasileiros) seguimos os mesmos passos dos EUA (seja na cultura ou na doença) (3). Então, isso também pode ocorrer no Brasil?

A reposta para a primeira pergunta é creditada as altas taxas de sedentarismo e obesidade endêmicos alcançados pelo EUA. Tanto o sedentarismo (4, 5) quanto a obesidade (6) estão correlacionados positivamente com as taxas de mortalidade (o que diminui a longevidade).

O sedentarismo e a obesidade também são fatores que promovem um elevado estado de inflamação  (7). Por sua vez, o estado de inflamação crônica é tido com um desencadeador de doenças crônico degenerativas (6).

Sendo assim, caso não queiramos diminuir a nossa expectativa de vida então devemos sempre estar nos mexendo. Qual a sua atividade física favorita? Dança? Boxe? Futebol? Natação? Correr no Parque? Tudo isso (e muito mais) é válido, o importante é não ficar parado!

Para finalizar, quero levantar uma questão citada pelos autores do primeiro artigo (1). Eles argumentaram que: “se o problema é o estado de inflamação elevado, então é só administrar anti-inflamatório” (adaptação do autor). …Correto?  De certa forma parece correto, mas há meios mais seguros! Como a prática crônica de exercício físico de intensidade moderada.

Referências?

  1. Arai Y, Martin-Ruiz CM, Takayama M, Abe Y, Takebayashi T, Koyasu S, et al. Inflammation, But Not Telomere Length, Predicts Successful Ageing at Extreme Old Age: A Longitudinal Study of Semi-supercentenarians. EBioMedicine.
  2. Olshansky SJ, Passaro DJ, Hershow RC, Layden J, Carnes BA, Brody J, et al. A Potential Decline in Life Expectancy in the United States in the 21st Century. New England Journal of Medicine. 2005;352(11):1138-45.
  3. Cristina PB, Rajiv C, Nicolle Amboni S, Ary Elias S, Luiz Cesar G-S, Marcia O, et al. Ischaemic heart disease deaths in Brazil: current trends, regional disparities and future projections. Heart. 2013;99(18):1359-64.
  4. McAuley PA, Artero EG, Sui X, Lee D-c, Church TS, Lavie CJ, et al., editors. The obesity paradox, cardiorespiratory fitness, and coronary heart disease. Mayo Clinic Proceedings; 2012: Elsevier.
  5. Farrell SW, Finley CE, Grundy SM. Cardiorespiratory fitness, LDL cholesterol, and CHD mortality in men. Med Sci Sports Exerc. 2012;44(11):2132-7.
  6. Van Gaal LF, Mertens IL, Christophe E. Mechanisms linking obesity with cardiovascular disease. Nature. 2006;444(7121):875-80.
  7. Solomon TPJ, Malin SK, Karstoft K, Knudsen SH, Haus JM, Laye MJ, et al. Association Between Cardiorespiratory Fitness and the Determinants of Glycemic Control Across the Entire Glucose Tolerance Continuum. Diabetes Care. 2015;38(5):921-9.
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