Editorial

Como não quebrar na New York Marathon, e em nenhuma outra maratona.

Neste domingo ocorre a New York Marathon, uma das corridas mais conhecidas mundialmente, pois faz parte do seleto grupo da World Marathon Majors e tem o selo ouro da IAAF (Federação Internacional de Atletismo). Todos os anos, mais de 50.000 participantes correm por todos os cinco bairros da cidade, conhecendo diversos pontos turísticos durante o percurso (esse é um dos melhores motivos para correr fora do país) como o Central Park, a Quinta Avenida, a ponte do Brooklyn, etc.

Um dos maiores objetivos do corredor durante qualquer maratona é a manutenção do seu ritmo durante todos os 42.195km. A Maratona de Nova Iorque tem o seu percurso predominante plano, mas com algumas subidas e descidas consideráveis, o que aumenta a possibilidade de “quebra” do ritmo durante o percurso (Fig.1).

Um estudo com 48.565 corredores na maratona de Nova Iorque de 2015 mostrou que a partir do 25-30km, tanto homens quanto mulheres, não importando a faixa etária, têm uma grande diminuição de velocidade (aproximadamente 20%) nesta prova [1]. O que pode explicar esse resultado é o fato de que no 28km se encontra uma subida de 1 milha (1.6km) na ponte Queensboro, além das constantes subidas e descidas após este trecho até o final da prova.

Para evitar essa diminuição de velocidade durante o percurso, é fundamental que na sua planilha de treino contenham treinos com trechos em subidas. Um grupo de pesquisadores em 2000 mostrou que métodos de treinos que incluíam subidas melhoravam a performance de corredores [2]. Apesar de necessitar de mais estudos para especificar seus efeitos, a ciência mostra que os métodos de treinamento em subida melhoram a performance pois afetam diretamente o sistema metabólico, biomecânico e neuromuscular, gerando uma melhor adaptação a exercícios com uma maior demanda de esforço, como corridas com subidas [3,4,5].

Quem está pensando em realizar uma maratona, lembre-se que é importante montar e organizar uma estratégia para realizá-la, passando por diversos fatores como a altimetria. Se sua prova tiver trechos com subidas, como a Maratona de Nova Iorque, é importante na sua planilha de treinamento a inclusão de treinamentos neste tipo de percurso. E para você que irá realizá-la neste domingo, não te desejamos sorte, mas sim que você consiga reproduzir com perfeição tudo que foi realizado no seu treinamento.

 

Referências Bibliográficas

[1] NIKOLAIDIS, P.T, KNECHTLE, B. Pacing in age group marathoners in the “New York City Marathon”. Research in Sports Medicine, v.26, n.1, p.86-99, 2017.

[2] KURZ, M.J, et al. The Relationship of training methods in NCAA division 1 cross-country runners and 10.000-meter performance. Journal of Strength and Conditioning Research, v.14, n.2, p.196-201, 2000.

[3] BARNES, K.R, KILDING, A.E. Strategies to improve running economy. Sports Medicine, v.45, n.1, p.37-56, 2014

[4] BARNES, K.R, et al. Effects of different uphill interval-training programs on running economy and performance. International Journal of Sports Physiology and Performance, v.8, n.6, p.639-647, 2013.

[5] FERLEY, D.D, et al. The effects of uphill vs. level-graded high-intensity on VO2máx, Vmax, vLT and Tmáx in weel-trained distance runners. Journal of Strength and Conditioning Research, v.27, n.6, p.1549-1559, 2012.

 

 

 

 

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