Saúde

Como aprender a gostar da prática de atividade física, PARTE 2

Por Elias de França

No tópico anterior percebemos que só praticamos atividade física se algo nos estimula a fazê-la (nos motive), e que, a manutenção deste comportamento (o sucesso) é proporcional ao tamanho da nossa capacidade de empreender esforço para obtermos recompensas psicológicas positivas. Entretanto, só discutimos fontes externas de motivação, que geralmente nos obrigam realizar a prática de atividade física, porém sem uma qualidade (fazer porquê gosta e de forma crônica). Sendo assim, neste tópico iremos falar da força motriz reguladora que pode estimular o nosso potencial motivacional, para dispendermos esforços suficiente para engajarmos de forma prazerosa na prática de atividade física.

 

Mecanismo psicológicos que regulam a empatia com à atividade física

O ser humano não é só razão, mas também é emoção. Em outras palavras, só o fato de discutirmos e chegarmos a um acordo sobre boas práticas de estilo de vida para a manutenção da boa saúde, não quer dizer que iremos segui-las (por boa parte ou toda a vida), só porque sabemos que aquilo é bom para a saúde. Entretanto, poderemos seguir por toda a vida, caso aquelas práticas sejam significativas e prazerosas para nós. A estratégia de passar o conhecimento funciona, entretanto, uma premissa básica para a autodeterminação (ou seja, manutenção de um comportamento) é que todas as motivações não são iguais, porém a motivação para a realização de uma ação (esforço) é levada para satisfazer necessidades psicológicas básicas (clima positivo, autonomia e competências), o que só alimenta a motivação intrínseca (fazer uma ação com fim nela mesma) (Figura 3).

Figura 3: Nutrientes psicológicos a cultivar para aumentar a motivação intríseca (potêncial motivacional) em relação a ação: Fonte: Extraído da Aula da Profª Marlene N. Silva, da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, Portugal.

 

Essas três necessidades básicas (citadas na Figura 3) são inerentes ao ser humano. Por exemplo, se por acaso a atividade que um indivíduo está desenvolvendo não estiver satisfazendo essas três necessidades adequadamente (ou seja, não ocorrer um feedback para reforçar o sentimento de autonomia, competência e clima positivo), quer dizer que a motivação que a leva a prática é mais extrínseco (i.e., fazer uma ação –atividade física- com outro fim que não a satisfação pessoal). Nesse sentido, em ordem de satisfação das necessidades básicas podemos classificar as motivações numa ordem decrescente, sendo do  caráter mais intrínseco para o mais extrínsecos, por exemplo, a motivação de regulação introjetada ou externa são as de menores grandezas em termos de alimentar as necessidades básicas (Figura 4)(1).

Figura 4: Tipos de motivação e regulação. Em resumo, esta figura representa os tipos de processo de regulação da ação e em qual tipo de regulação pertence (motivação extrínseca ou intrínseca). Fonte Viana (2).

 

A motivação introjetada ou extrínseca é algo de fora que controla o indivíduo a fim de fazer uma atividade ou ação (Figura 5). Essa ação não alimenta as necessidades básicas do ser humano (e por consequência não alimentará a motivação intrínseca). Essas fontes de motivação tem o potencial de promover ações, mas não é muito desejável, porque ele (indivíduo) não tem a autonomia e liberdade de escolha (necessidade básica), que caracterizam os comportamentos que são mais propensos a ser auto respeitados (e mantido ao longo da vida). Por exemplo, o medo e a culpa (medo de enfartar) não são característicos ideais de mudança de comportamento bem-sucedido (manutenção em longo prazo), prova disso é o auto índice de morte e doenças cardiovasculares.

Figura 5: Exemplo 2, tipo de motivação extrínseca. Fonte: Extraído da Aula da Profª Marlene N. Silva, da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, Portugal.

Pensando em atividade física, caso não haja algum traço de motivação intrínseca (i.e., fazer a ação com fim nela mesma) que o leve para a prática daquela ação, as necessidades básicas não são alimentadas e, nesse sentido, haverá uma grande propensão para que o aluno/indivíduo abandone aquela prática.

Em termos práticos, um indivíduo que decidiu entrar num grupo de colegas (com mesmo nível de habilidades e capacidades) que praticam futebol/corrida/ciclismo/ou dança. Este grupo tem como costume parar depois da atividade fazer uma “mesa redonda” (roda de conversa) num clima descontraído. Com estas características é quase certo que esta prática se torne crônica, pois temos englobado nesta situação: clima positivo (ser aceito e acolhido pelo grupo); sentimento de competência (mesmo nível de performance do grupo), e; autonomia (ele escolheu deliberadamente engajar-se naquela atividade).  Digamos que uma empresa resolve tentar imitar esta situação, em primeiro lugar, ela deverá ter em mente que terá que trabalhar fortemente a questão de autonomia (pois a atividade foi introjetada nos seus funcionários); além disso, de alguma forma terá que equilibrar as habilidades e capacidade dos funcionários (normalmente quem participa de forma regular em atividade desportiva destes tipos- em corporações-, são os que possuem altas capacidades e habilidade para aquelas atividades, sendo que os de menos capacidades e habilidades acabam fugindo(!!)). Nas academias, em geral, isso também é um grande problema: como manter motivado o aluno que geralmente são motivados por obrigação médica ou estética?

No próximo tópico iremos colocar esse conhecimento em prática e abordar estratégias de como alimentar as necessidades psicológicas básicas durante à prática da atividade física e, com isso, aumentando a motivação intrínseca para à própria prática.

Referências:

 

  1. Edmunds J, Ntoumanis N, Duda JL. Helping your clients and patients take ownership over their exercise: Fostering exercise adoption, adherence, and associated well-being. ACSM’s Health & Fitness Journal. 2009;13(3):20-5.
  2. Viana MdS. Motivação de adolescentes para a prática de exercícios físicos: perspectivas da teoria da autodeterminação. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); 2009.
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