Treinamento

A performance no endurance é influenciada pela percepção de temperatura

Durante a prática de exercício físico a temperatura corporal tem um papel chave na regulação da performance, um atleta atinge um platô na performance quando o core atinge um nível crítico de temperatura. Veja a Figura abaixo, quando alguns atletas foram submetidos a um teste de time trial de 20 km em um ambiente quente (35°C) a performance foi menor (A), a temperatura  do core (B) e a frequência cardíaca (C) foram mais elevadas, quando comparada a situação de ambiente frio (15°C). Interessantemente a percepção de esforço (D) foi similar nas duas situações, o que sugere uma maior taxa de percepção de esforço por unidade de trabalho.

Fonte: Tucker, Ross, et al. “Impaired exercise performance in the heat is associated with an anticipatory reduction in skeletal muscle recruitment.” Pflügers Archiv 448.4 (2004): 422-430.

Em um recente estudo de revisão [1] sobre performance relacionada a regulação de temperatura, os autores da revisão verificaram que os estudos que testaram técnicas de resfriamento durante provas de endurance (em ambientes quentes >20°) conseguiram melhorar a performance dos atletas. Dentre as técnicas, a ingestão de gelo em gel (não era sorvete rs…), toalhas geladas, vestimentas especiais, imersão em água gelada, treinamento psicológico, aplicação tópica de mentol ou enxaguar a boca com mentol foram utilizadas com sucesso (veja a Tabela 1).

Fonte: Stevens, Christopher John, et al. “Endurance Performance is Influenced by Perceptions of Pain and Temperature: Theory, Applications and Safety Considerations.” Sports Medicine (2017): 1-13.

Muitas técnicas de resfriamento durante o exercício físico podem retardar o momento em que o core atinja valores críticos de temperatura (hipertermia) e assim melhorar a performance. Mas o mais interessante é que a alteração da percepção de temperatura também funciona para melhorar a performance.  Por exemplo, o uso de enxague da boca com mentol, spray de água no rosto ou estratégias psicológicas (positive self-talk para tolerar o calor, por exemplo) não altera a temperatura do core, mas altera a percepção de temperatura.

Hidratação, termorregulação ou alteração da percepção de calor?

Os autores da revisão [1] chegaram à conclusão que a performance também está relacionada a percepção de temperatura, ou seja, durante a prática de exercício físico a nossa performance pode ser melhorada ou piorada de acordo com a nossa percepção de temperatura. Por exemplo, o resfriamento do rosto durante provas de endurance em ambientes quentes pode melhorar a performance (…então, por isso sempre vemos a cena clássica dos atletas de endurance que se banham com os copos d’água!!!). Resfriar o rosto durante o exercício físico é muito interessante (para alterar a percepção de temperatura), pois esta área possui elevada sensibilidade térmica [1]. Em um interessante experimento, pesquisadores aqueceram ou esfriaram a cabeça de atletas antes de um teste de exercício de 30min. e foi observado que o aquecimento da cabeça afetou negativamente a performance [2], veja a Figura 2.

Fonte: Mündel, Toby, Aaron Raman, and Zachary J. Schlader. “Head temperature modulates thermal behavior in the cold in humans.” Temperature 3.2 (2016): 298-306.

CUIDADOS:

  1. Os autores da revisão não recomendam o uso de mentol em grandes áreas do corpo, devido ao fato desta substância promover vasoconstrição (o que diminui a taxa de sudorese) , isso irá promover uma maior taxa  retenção de calor.
  2.  A diminuição da performance em ambientes quentes é uma medida de proteção do organismo para impedir um estado de hipertermia. Nesse sentido,  é aconselhável não utilizar estratégias como mentol em situações de exercício físico em que há hipertermia.

 

Referências:

1-Stevens, Christopher John, et al. “Endurance Performance is Influenced by Perceptions of Pain and Temperature: Theory, Applications and Safety Considerations.” Sports Medicine(2017): 1-13.

2-Mundel T, Raman A, Schlader ZJ. Head temperature modulates thermal behavior in the cold in humans. Temperature. 2016;3(2):298–306.

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